sexta-feira, 3 de junho de 2011

4 MUTIRÃO DE COMUNICAÇÃO DO REGIONAL NORDESTE 2


Oração para o Mutirão de Comunicação

Senhor Jesus Cristo, Comunicador do Pai, acompanhai-nos na realização deste IV Mutirão de Comunicação do Regional Nordeste 2, mostrando-nos a ciência dos processos de comunicação, a fim de podermos contribuir com a construção de um mundo melhor.
Inspirai, Senhor, os coordenadores do mutirão, os articuladores das dioceses, os expositores e participantes, para que, abertos à comunicação evangélica, sejam facilitadores da recepção da Boa Nova da Salvação e anunciadores da esperança neste mundo tão diversificado e plural.
Senhor, dai-nos a força do Espírito Santo, a Sabedoria Divina, para que a PASCOM seja na Igreja um instrumento de unidade e comunhão, ajudando a pastoral de conjunto e toda ação evangelizadora
Senhor, formai-nos para comunicar tudo aquilo que engrandece o ser humano, que cria comunidade de fé e amor, que resgata aqueles que se encontram perdidos, excluídos e afastados da vida plena que vós mesmo ofereceis.
Senhor, fazei de todo nós, agentes da PASCOM, vossos seguidores na comunicação das coisas do Pai, “para que todos tenham vida plena!”

Amém!




EXPLICAÇÃO DA LOGOMARCA DO IX PÉ E FÉ NA CAMINHADA

Nesta logomarca vemos os limites dos estados que constituem o Regional Nordeste 2. O espaço de cada estado é preenchido por sua respectiva bandeira.

Sobre o estado de Pernambuco, onde aconteceu o VIII Pé e Fé na Caminhada, mais precisamente na cidade de Petrolina, vemos um seminarista, tendo a mesma cor de pele que é comum entre a maioria dos cidadãos nordestinos.

Ele porta uma Batina – Indumentária Eclesiástica – e calça chinelas para lembrar que, mesmo depois da ordenação, será chamado a viver junto do povo, especialmente dos mais pobres. Carrega sobre as costas uma sacola: nela deve levar apenas a única coisa necessária rumo à experiência do IX Pé e Fé na caminhada.

Este seminarista aponta para um lugar: Natal - cidade que acolherá o IX Pé e Fé na caminhada. Em destaque, sobre o Território potiguar, vemos a Cruz Tríplice, Símbolo maior da Igreja Particular de Natal, de cor azul para lembrar A padroeira da referida Arquidiocese, ou seja, Nossa Senhora da Apresentação

Jecione Melo – Seminarista do 2° ano de Filosofia da Arquidiocese de Natal





LANÇAMENTO DE LOGOMARCA

IX PE E FÈ NA CAMINHADA - ENCONTRO DOS SEMINARISTAS DIOCESANOS DO NE2 QUE VAI ACONTECER EM NATAL - RIO GRANDE DO NORTE


O reitor do Seminário de São Pedro, Pe. Ajosenildo Nunes, aprovou hoje, dia 1° de junho, a logomarca do IX Encontro de Seminaristas do Regional Nordeste 2 (Pé e Fé na Caminhada). “Esta logomarca representa um primeiro passo de tantos outros que hão de ser dados para a realização do IX Pé e Fé”, explica o Secretário Executivo do encontro, seminarista João Batista.

A logomarca foi confeccionada pelo seminarista do 2° ano de filosofia da Arquidiocese de Natal, Jecione Melo. “Este seminarista aponta para um lugar: Natal - cidade que acolherá o IX Pé e Fé na caminhada.” Diz o Seminarista Jecione em um dos trechos da explicação da logomarca.

Este encontro, que surgiu em meados de 2003, quando um grupo de seminaristas de Pernambuco e Alagoas que estudavam no Seminário da Arquidiocese de Maceió, imbuídos do espírito de partilha resolveram, com o auxílio de Dom Adriano Ciocca Vasino, Bispo de Floresta - PE, se reunir durante o período ferial para troca de experiências e o fortalecimento mútuo. Inicialmente o Pé e Fé contou apenas com os seminaristas das dioceses de Pernambuco e Alagoas; depois foi estendido a todos os seminaristas do regional nordeste 2.

O IX Pé e Fé na Caminhada acontecerá em Natal no período de 23 a 26 de janeiro de 2012 e terá como tema “a missão do padre diocesano ontem, hoje e amanhã”. “Durante o segundo semestre realizaremos várias atividades afim angariar recursos para custear as despesas deste encontro”, acrescenta o secretário do Pé e Fé.

Equipe de organização do IX Pe e Fé na Caminhada




quinta-feira, 28 de abril de 2011

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 450 DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

Verdade, anúncio e autenticidade
de vida, na era digital
5 de junho de 2011
Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do XLV Dia Mundial das Comunicações Sociais, desejo partilhar algumas reflexões,
motivadas por um fenômeno característico do nosso tempo: a difusão da comunicação através da rede
internet. Vai-se tornando cada vez mais comum a convicção de que, tal como a revolução industrial
produziu uma mudança profunda na sociedade através das novidades inseridas no ciclo de produção e
na vida dos trabalhadores, também hoje a profunda transformação operada no campo das
comunicações guia o fluxo de grandes mudanças culturais e sociais. As novas tecnologias estão a
mudar não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar
que estamos perante uma ampla transformação cultural. Com este modo de difundir informações e
conhecimentos, está a nascer uma nova maneira de aprender e pensar, com oportunidades inéditas de estabelecer relações e de construir comunhão.
Aparecem em perspectiva metas até há pouco tempo impensáveis, que nos deixam maravilhados
com as possibilidades oferecidas pelos novos meios e, ao mesmo tempo, impõem de modo cada vez
mais premente uma reflexão séria acerca do sentido da comunicação na era digital. Isto é
particularmente evidente quando nos confrontamos com as extraordinárias potencialidades da rede
internet e a complexidade das suas aplicações. Como qualquer outro fruto do engenho humano, as
novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da
humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade
e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.
No mundo digital, transmitir informações significa com frequência sempre maior inseri-las
numa rede social, onde o conhecimento é partilhado no âmbito de intercâmbios pessoais. A distinção
clara entre o produtor e o consumidor da informação aparece relativizada, pretendendo a
comunicação ser não só uma troca de dados, mas também e cada vez mais uma partilha. Esta
dinâmica contribuiu para uma renovada avaliação da comunicação, considerada primariamente como
diálogo, intercâmbio, solidariedade e criação de relações positivas. Por outro lado, isto colide com
alguns limites típicos da comunicação digital: a parcialidade da interação, a tendência a comunicar só
algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da autoimagem
que pode favorecer o narcisismo.
Sobretudo os jovens estão a viver esta mudança da comunicação, com todas as ansiedades, as
contradições e a criatividade própria de quantos se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas
experiências da vida. O envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social
network, leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio
e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também
da autenticidade do próprio ser. A presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca
autêntica de encontro pessoal com o outro, se se estiver atento para evitar os seus perigos, como
refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual. Na busca
de partilha, de “amizades”, confrontamo-nos com o desafio de ser autênticos, fiéis a si mesmos, sem
ceder à ilusão de construir artificialmente o próprio “perfil” público.
As novas tecnologias permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e
das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades. Esta é
uma grande oportunidade, mas exige também uma maior atenção e uma tomada de consciência
quanto aos possíveis riscos. Quem é o meu “próximo” neste novo mundo? Existe o perigo de estar
menos presente a quantos encontramos na nossa vida diária? Existe o risco de estarmos mais
distraídos, porque a nossa atenção é fragmentada e absorvida por um mundo “diferente” daquele
onde vivemos? Temos tempo para refletir criticamente sobre as nossas opções e alimentar relações
humanas que sejam verdadeiramente profundas e duradouras? É importante nunca esquecer que o
contato virtual não pode nem deve substituir o contato humano direto com as pessoas, em todos os
níveis da nossa vida.
Também na era digital, cada um vê-se confrontado com a necessidade de ser pessoa autêntica e
reflexiva. Aliás, as dinâmicas próprias dos social network mostram que uma pessoa acaba sempre
envolvida naquilo que comunica. Quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si
mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais. Segue-se daqui que existe um estilo
cristão de presença também no mundo digital: traduz-se numa forma de comunicação honesta e
aberta, responsável e respeitadora do outro. Comunicar o Evangelho através dos novos midia significa
não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também
testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências,
juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala
explicitamente dele. Aliás, também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem
sem um testemunho coerente por parte de quem anuncia. Nos novos contextos e com as novas
formas de expressão, o cristão é chamado de novo a dar resposta a todo aquele que lhe perguntar a
razão da esperança que está nele (cf. 1Pd 3,15).
O compromisso por um testemunho do Evangelho na era digital exige que todos estejam
particularmente atentos aos aspectos desta mensagem que possam desafiar algumas das lógicas típicas
da web. Antes de tudo, devemos estar cientes de que a verdade que procuramos partilhar não extrai o
seu valor da sua “popularidade” ou da quantidade de atenção que lhe é dada. Devemos esforçar-nos
mais em dá-la conhecer na sua integridade do que em torná-la aceitável, talvez “mitigando-a”. Deve
tornar-se alimento cotidiano e não atração de um momento. A verdade do Evangelho não é algo que
possa ser objeto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre.
Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede, aquela sempre exige ser encarnada no mundo real e
dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária. Por isso
permanecem fundamentais as relações humanas diretas na transmissão da fé!
Em todo o caso, quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade
consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para
satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana.
A web está a contribuir para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência
intelectual e espiritual, de certeza compartilhada. Somos chamados a anunciar, neste campo também,
a nossa fé: que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história, aquele em quem todas as coisas
alcançam a sua perfeição (cf. Ef 1,10). A proclamação do Evangelho requer uma forma respeitosa e
discreta de comunicação, que estimula o coração e move a consciência; uma forma que recorda o
estilo de Jesus ressuscitado quando se fez companheiro no caminho dos discípulos de Emaús (cf. Lc
24,13-35), que foram gradualmente conduzidos à compreensão do mistério mediante a sua
companhia, o diálogo com eles, o fazer vir ao de cima com delicadeza o que havia no coração deles.
Em última análise, a verdade que é Cristo constitui a resposta plena e autêntica àquele desejo
humano de relação, comunhão e sentido que sobressai inclusivamente na participação maciça nos
vários social network. Os crentes, testemunhando as suas convicções mais profundas, prestam uma
preciosa contribuição para que a web não se torne um instrumento que reduza as pessoas a categorias,
que procure manipulá-las emotivamente ou que permita aos poderosos monopolizar a opinião alheia.
Pelo contrário, os crentes encorajam todos a manterem vivas as eternas questões do homem, que
testemunham o seu desejo de transcendência e o anseio por formas de vida autêntica, digna de ser
vivida. Precisamente esta tensão espiritual própria do ser humano é que está por detrás da nossa sede
de verdade e comunhão e nos estimula a comunicar com integridade e honestidade.
Convido sobretudo os jovens a fazerem bom uso da sua presença no areópago digital. Renovolhes
o convite para o encontro comigo na próxima Jornada Mundial da Juventude em Madri, cuja
preparação muito deve às vantagens das novas tecnologias. Para os agentes da comunicação, invoco de
Deus, por intercessão do Patrono São Francisco de Sales, a capacidade de sempre desempenharem o
seu trabalho com grande consciência e escrupulosa profissionalidade, enquanto a todos envio a minha.

Bênção Apostólica.
Vaticano, Festa de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2011.
BENTO XVI

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Homilia de Bento XVI na Vigília Pascal, no Vaticano

 

Boletim da Santa Sé


Amados irmãos e irmãs,

Dois grandes sinais caracterizam a celebração litúrgica da Vigília Pascal. Temos antes de mais nada o fogo que se torna luz. A luz do círio pascal que, na procissão através da igreja encoberta na escuridão da noite, se torna uma onda de luzes, fala-nos de Cristo como verdadeira estrela da manhã eternamente sem ocaso, fala-nos do Ressuscitado em quem a luz venceu as trevas. O segundo sinal é a água. Esta recorda, por um lado, as águas do Mar Vermelho, o afundamento e a morte, o mistério da Cruz; mas, por outro, aparece-nos como água nascente, como elemento que dá vida na aridez. Torna-se assim imagem do sacramento do Batismo, que nos faz participantes da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Mas não são apenas estes grandes sinais da criação, a luz e a água, que fazem parte da liturgia da Vigília Pascal; outra característica verdadeiramente essencial da Vigília é o fato de nos proporcionar um vasto encontro com a palavra da Sagrada Escritura. Antes da reforma litúrgica, havia doze leituras do Antigo Testamento e duas do Novo. As do Novo Testamento permaneceram; entretanto o número das leituras do Antigo Testamento acabou fixado em sete, que, atendendo às situações locais, se podem reduzir a três leituras. A Igreja quer, através de uma ampla visão panorâmica, conduzir-nos ao longo do caminho da história da salvação, desde a criação passando pela eleição e a libertação de Israel até aos testemunhos proféticos, pelos quais toda esta história se orienta cada vez mais claramente para Jesus Cristo. Na tradição litúrgica, todas estas leituras se chamavam profecias: mesmo quando não são diretamente vaticínios de acontecimentos futuros, elas têm um caráter profético, mostram-nos o fundamento íntimo e a direção da história; fazem com que a criação e a história se tornem transparentes no essencial. Deste modo tomam-nos pela mão e conduzem-nos para Cristo, mostram-nos a verdadeira luz.

Na Vigília Pascal, o percurso ao longo dos caminhos da Sagrada Escritura começa pelo relato da criação. Desta forma, a liturgia quer-nos dizer que também o relato da criação é uma profecia. Não se trata de uma informação sobre a realização exterior da transformação do universo e do homem. Bem cientes disto estavam os Padres da Igreja, que entenderam este relato não como narração real das origens das coisas, mas como apelo ao essencial, ao verdadeiro princípio e ao fim do nosso ser. Ora, podemo-nos interrogar: mas, na Vigília Pascal, é verdadeiramente importante falar também da criação? Não se poderia começar pelos acontecimentos em que Deus chama o homem, forma para Si um povo e cria a sua história com os homens na terra? A resposta deve ser: não! Omitir a criação significaria equivocar-se sobre a história de Deus com os homens, diminuí-la, deixar de ver a sua verdadeira ordem de grandeza. O arco da história que Deus fundou chega até às origens, até à criação. A nossa profissão de fé inicia com as palavras: «Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra». Se omitimos este início do Credo, a história global da salvação torna-se demasiado restrita, demasiado pequena. A Igreja não é uma associação qualquer que se ocupa das necessidades religiosas dos homens e cujo objetivo se limitaria precisamente ao de uma tal associação. Não, a Igreja leva o homem ao contato com Deus e, consequentemente, com o princípio de tudo. Por isso, Deus tem a ver conosco como Criador, e por isso possuímos uma responsabilidade pela criação. A nossa responsabilidade inclui a criação, porque esta provém do Criador. Deus pode dar-nos vida e guiar a nossa vida, só porque Ele criou o todo. A vida na fé da Igreja não abrange somente o âmbito de sensações e sentimentos e porventura de obrigações morais; mas abrange o homem na sua integralidade, desde as suas origens e na perspectiva da eternidade. Só porque a criação pertence a Deus, podemos depositar n’Ele completamente a nossa confiança. E só porque Ele é Criador, é que nos pode dar a vida por toda a eternidade. A alegria e gratidão pela criação e a responsabilidade por ela andam juntas uma com a outra.

Podemos determinar ainda mais concretamente a mensagem central do relato da criação. Nas primeiras palavras do seu Evangelho, São João resumiu o significado essencial do referido relato com uma única frase: «No princípio, era o Verbo». Com efeito, o relato da criação, que ouvimos anteriormente, caracteriza-se pela frase que aparece com regularidade: «Disse Deus…». O mundo é uma produção da Palavra, do Logos, como se exprime João com um termo central da língua grega. «Logos» significa «razão», «sentido», «palavra». Não é apenas razão, mas Razão criadora que fala e comunica a Si mesma. Trata-se de Razão que é sentido, e que cria, Ela mesma, sentido. Por isso, o relato da criação diz-nos que o mundo é uma produção da Razão criadora. E deste modo diz-nos que, na origem de todas as coisas, não está o que é sem razão, sem liberdade; pelo contrário, o princípio de todas as coisas é a Razão criadora, é o amor, é a liberdade. Encontramo-nos aqui perante a alternativa última que está em jogo na disputa entre fé e incredulidade: o princípio de tudo é a irracionalidade, a ausência de liberdade e o acaso, ou então o princípio do ser é razão, liberdade, amor? O primado pertence à irracionalidade ou à razão? Tal é a questão de que, em última análise, se trata. Como crentes, respondemos com o relato da criação e com São João: na origem, está a razão. Na origem, está a liberdade. Por isso, é bom ser uma pessoa humana. Assim o que sucedera no universo em expansão não foi que por fim, num angulozinho qualquer do cosmos, ter-se-ia formado por acaso também uma espécie como qualquer outra de ser vivente, capaz de raciocinar e de tentar encontrar na criação uma razão ou de lha conferir. Se o homem fosse apenas um tal produto casual da evolução num lugar marginal qualquer do universo, então a sua vida seria sem sentido ou mesmo um azar da natureza. Mas não! No início, está a Razão, a Razão criadora, divina. E, dado que é Razão, ela criou também a liberdade; e, uma vez que se pode fazer uso indevido da liberdade, existe também o que é contrário à criação. Por isso se estende, por assim dizer, uma densa linha escura através da estrutura do universo e através da natureza do homem. Mas, apesar desta contradição, a criação como tal permanece boa, a vida permanece boa, porque na sua origem está a Razão boa, o amor criador de Deus. Por isso, o mundo pode ser salvo. Por isso podemos e devemos colocar-nos da parte da razão, da liberdade e do amor, da parte de Deus que nos ama de tal maneira que Ele sofreu por nós, para que, da sua morte, pudesse surgir uma vida nova, definitiva, restaurada.

O relato veterotestamentário da criação, que escutámos, indica claramente esta ordem das coisas. Mas faz-nos dar um passo mais em frente. O processo da criação aparece estruturado no quadro de uma semana que se orienta para o Sábado, encontrando neste a sua perfeição. Para Israel, o Sábado era o dia em que todos podiam participar no repouso de Deus, em que homem e animal, senhor e escravo, grandes e pequenos estavam unidos na liberdade de Deus. Assim o Sábado era expressão da aliança entre Deus, o homem e a criação. Deste modo, a comunhão entre Deus e o homem não aparece como um acréscimo, algo instaurado posteriormente num mundo cuja criação estava já concluída. A aliança, a comunhão entre Deus e o homem, está prevista no mais íntimo da criação. Sim, a aliança é a razão intrínseca da criação, tal como esta é o pressuposto exterior da aliança. Deus fez o mundo, para haver um lugar no qual Ele pudesse comunicar o seu amor e a partir do qual a resposta de amor retornasse a Ele. Diante de Deus, o coração do homem que Lhe responde é maior e mais importante do que todo o imenso universo material que, certamente, já nos deixa vislumbrar algo da grandeza de Deus.

Entretanto, na Páscoa e a partir da experiência pascal dos cristãos, devemos ainda dar mais um passo. O Sábado é o sétimo dia da semana. Depois de seis dias em que o homem, de certa forma, participa no trabalho criador de Deus, o Sábado é o dia do repouso. Mas, na Igreja nascente, sucedeu algo de inaudito: no lugar do Sábado, do sétimo dia, entra o primeiro dia. Este, enquanto dia da assembleia litúrgica, é o dia do encontro com Deus por meio de Jesus Cristo, que no primeiro dia, o Domingo, encontrou como Ressuscitado os seus, depois que estes encontraram vazio o sepulcro. Agora inverte-se a estrutura da semana: já não está orientada para o sétimo dia, em que se participa no repouso de Deus; a semana inicia com o primeiro dia como dia do encontro com o Ressuscitado. Este encontro não cessa jamais de verificar-se na celebração da Eucaristia, durante a qual o Senhor entra de novo no meio dos seus e dá-Se a eles, deixa-Se por assim dizer tocar por eles, põe-Se à mesa com eles. Esta mudança é um fato extraordinário, quando se considera que o Sábado – o sétimo dia – está profundamente radicado no Antigo Testamento como o dia do encontro com Deus. Quando se pensa como a passagem do trabalho ao dia do repouso corresponde também a uma lógica natural, torna-se ainda mais evidente o alcance impressionante de tal alteração. Este processo inovador, que se deu logo ao início do desenvolvimento da Igreja, só se pode explicar com o fato de ter sucedido algo de inaudito em tal dia. O primeiro dia da semana era o terceiro depois da morte de Jesus; era o dia em que Ele Se manifestou aos seus como o Ressuscitado. De fato, este encontro continha nele algo de impressionante. O mundo tinha mudado. Aquele que estivera morto goza agora de um vida que já não está ameaçada por morte alguma. Fora inaugurada uma nova forma de vida, uma nova dimensão da criação. O primeiro dia, segundo o relato do Gênesis, é aquele em que teve início a criação. Agora tornara-se, de uma forma nova, o dia da criação, tornara-se o dia da nova criação. Nós celebramos o primeiro dia. Deste modo celebramos Deus, o Criador, e a sua criação. Sim, creio em Deus, Criador do Céu e da Terra. E celebramos o Deus que Se fez homem, padeceu, morreu, foi sepultado e ressuscitou. Celebramos a vitória definitiva do Criador e da sua criação. Celebramos este dia como origem e simultaneamente como meta da nossa vida. Celebramo-lo porque agora, graças ao Ressuscitado, vale de modo definitivo que a razão é mais forte do que a irracionalidade, a verdade mais forte do que a mentira, o amor mais forte do que a morte. Celebramos o primeiro dia, porque sabemos que a linha escura que atravessa a criação não permanece para sempre. Celebramo-lo, porque sabemos que agora vale definitivamente o que se diz no fim do relato da criação: «Deus viu que tudo o que tinha feito; era tudo muito bom» (Gn 1, 31). Amen.



domingo, 24 de abril de 2011

Mensagem de Páscoa de Bento XVI antes da benção Urbi Et Orbi



"In resurrectione tua, Christe, coeli et terra laetentur – Na vossa Ressurreição, ó Cristo, alegrem-se os céus e a terra" (Liturgia das Horas).

Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro!

A manhã de Páscoa trouxe-nos este anúncio antigo e sempre novo: Cristo ressuscitou! O eco deste acontecimento, que partiu de Jerusalém há vinte séculos, continua a ressoar na Igreja, que traz viva no coração a fé vibrante de Maria, a Mãe de Jesus, a fé de Madalena e das primeiras mulheres que viram o sepulcro vazio, a fé de Pedro e dos outros Apóstolos.

Até hoje – mesmo na nossa era de comunicações supertecnológicas – a fé dos cristãos assenta naquele anúncio, no testemunho daquelas irmãs e daqueles irmãos que viram, primeiro, a pedra removida e o túmulo vazio e, depois, os misteriosos mensageiros que atestavam que Jesus, o Crucificado, ressuscitara; em seguida, o Mestre e Senhor em pessoa, vivo e palpável, apareceu a Maria de Magdala, aos dois discípulos de Emaús e, finalmente, aos onze, reunidos no Cenáculo (cf. Mc 16, 9-14).

A ressurreição de Cristo não é fruto de uma especulação, de uma experiência mística: é um acontecimento, que ultrapassa certamente a história, mas verifica-se num momento concreto da história e deixa nela uma marca indelével. A luz, que encandeou os guardas de sentinela ao sepulcro de Jesus, atravessou o tempo e o espaço. É uma luz diferente, divina, que fendeu as trevas da morte e trouxe ao mundo o esplendor de Deus, o esplendor da Verdade e do Bem.

Tal como os raios do sol, na primavera, fazem brotar e desabrochar os rebentos nos ramos das árvores, assim também a irradiação que dimana da Ressurreição de Cristo dá força e significado a cada esperança humana, a cada expectativa, desejo, projeto. Por isso, hoje, o universo inteiro se alegra, implicado na primavera da humanidade, que se faz intérprete do tácito hino de louvor da criação. O aleluia pascal, que ressoa na Igreja peregrina no mundo, exprime a exultação silenciosa do universo e sobretudo o anseio de cada alma humana aberta sinceramente a Deus, mais ainda, agradecida pela sua infinita bondade, beleza e verdade.

"Na vossa ressurreição, ó Cristo, alegrem-se os céus e a terra". A este convite ao louvor, que hoje se eleva do coração da Igreja, os "céus" respondem plenamente: as multidões dos anjos, dos santos e dos beatos unem-se unânimes à nossa exultação. No Céu, tudo é paz e alegria. Mas, infelizmente, não é assim sobre a terra! Aqui, neste nosso mundo, o aleluia pascal contrasta ainda com os lamentos e gritos que provêm de tantas situações dolorosas: miséria, fome, doenças, guerras, violências. E todavia foi por isto mesmo que Cristo morreu e ressuscitou! Ele morreu também por causa dos nossos pecados de hoje, e também para a redenção da nossa história de hoje Ele ressuscitou. Por isso, esta minha mensagem quer chegar a todos e, como anúncio profético, sobretudo aos povos e às comunidades que estão a sofrer uma hora de paixão, para que Cristo Ressuscitado lhes abra o caminho da liberdade, da justiça e da paz.

Possa alegrar-se aquela Terra que, primeiro, foi inundada pela luz do Ressuscitado. O fulgor de Cristo chegue também aos povos do Médio Oriente para que a luz da paz e da dignidade humana vença as trevas da divisão, do ódio e das violências. Na Líbia, que as armas cedam o lugar à diplomacia e ao diálogo e se favoreça, na situação atual de conflito, o acesso das ajudas humanitárias a quantos sofrem as consequências da luta. Nos países da África do Norte e do Oriente Médio, que todos os cidadãos – e de modo particular os jovens – se esforcem por promover o bem comum e construir um sociedade, onde a pobreza seja vencida e cada decisão política seja inspirada pelo respeito da pessoa humana. A tantos prófugos e aos refugiados, que provêm de diversos países africanos e se vêem forçados a deixar os afetos dos seus entes mais queridos, chegue a solidariedade de todos; os homens de boa vontade sintam-se inspirados a abrir o coração ao acolhimento, para se torne possível, de maneira solidária e concorde, acudir às necessidades prementes de tantos irmãos; a quantos se prodigalizam com generosos esforços e dão exemplares testemunhos nesta linha chegue o nosso conforto e apreço.

Possa recompor-se a convivência civil entre as populações da Costa do Marfim, onde é urgente empreender um caminho de reconciliação e perdão, para curar as feridas profundas causadas pelas recentes violências. Possa encontrar consolação e esperança a terra do Japão, enquanto enfrenta as dramáticas consequências do recente terremoto, e demais países que, nos meses passados, foram provados por calamidades naturais que semearam sofrimento e angústia.

Alegrem-se os céus e a terra pelo testemunho de quantos sofrem contrariedades ou mesmo perseguições pela sua fé no Senhor Jesus. O anúncio da sua ressurreição vitoriosa neles infunda coragem e confiança.

Queridos irmãos e irmãs! Cristo ressuscitado caminha à nossa frente para os novos céus e a nova terra (cf. Ap 21, 1), onde finalmente viveremos todos como uma única família, filhos do mesmo Pai. Ele está connosco até ao fim dos tempos. Sigamos as suas pegadas, neste mundo ferido, cantando o aleluia. No nosso coração, há alegria e sofrimento; na nossa face, sorrisos e lágrimas. A nossa realidade terrena é assim. Mas Cristo ressuscitou, está vivo e caminha connosco. Por isso, cantamos e caminhamos, fiéis ao nosso compromisso neste mundo, com o olhar voltado para o Céu.

Boa Páscoa a todos!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011


Tema: "Fraternidade e a vida no planeta".

Lema: "A criação geme em dores de parto"(Rm 8,22).







Oração da Campanha da Fraternidade 2011 CNBB

Senhor Deus, nosso Pai e Criador.
A beleza do universo revela a vossa grandeza,
A sabedoria e o amor com que fizestes todas as coisas,
E o eterno amor que tendes por todos nós.
Pecadores que somos, não respeitamos a vossa obra,
E o que era para ser garantia da vida está se tornando ameaça.
A beleza está sendo mudada em devastação,
E a morte mostra a sua presença no nosso planeta.
Que nesta quaresma nos convertamos
E vejamos que a criação geme em dores de parto,
Para que possa renascer segundo o vosso plano de amor,
Por meio da nossa mudança de mentalidade e de atitudes.
E, assim, como Maria, que meditava a vossa Palavra e a fazia vida,
Também nós, movidos pelos princípios do Evangelho,
Possamos celebrar na Páscoa do vosso Filho, nosso Senhor,
O ressurgimento do vosso projeto para todo o mundo.

Amém.


Hino da CF 2011

Tema: Fraternidade e a vida no planeta

Lema: A criação geme em dores de parto (Rm 8,22)

1. Olha, meu povo, este planeta terra:

Das criaturas todas, a mais linda!

Eu a plasmei com todo amor materno,

Pra ser um berço de aconchego e vida. (Gn 1)
Nossa mãe terra, Senhor,

Geme de dor noite e dia.

Será de parto essa dor?

Ou simplesmente agonia?!

Vai depender só de nós!

Vai depender só de nós!
2.

A terra é mãe, é criatura viva;

Também respira, se alimenta e sofre.

É de respeito que ela mais precisa!

Sem teu cuidado ela agoniza e morre.
3.

Vê, nesta terra, os teus irmãos. São tantos...

Que a fome mata e a miséria humilha.

Eu sonho ver um mundo mais humano,

Sem tanto lucro e muito mais partilha!
4.

Olha as florestas: pulmão verde e forte!

Sente esse ar que te entreguei tão puro...

Agora, gases disseminam morte;

O aquecimento queima o teu futuro.
5.

Contempla os rios que agonizam tristes.

Não te incomoda poluir assim?!

Vê: tanta espécie já não mais existe!

Por mais cuidado implora esse jardim!
6.

A humanidade anseia nova terra. (2Pd 3,13)

De dores geme toda a criação. (Rm 8,22)

Transforma em Páscoa as dores dessa espera,

Quero essa terra em plena gestação!.

domingo, 9 de janeiro de 2011

SOLENIDADE DO BATISMO DO SENHOR!!!!

Ângelus do Papa Bento XVI na Festa do Batismo do Senhor





Hoje, a Igreja celebra o Batismo do Senhor, a festa que encerra o tempo litúrgico do Natal. Este mistério da vida de Cristo mostra, visivelmente, que a sua vinda na carne é o ato de amor sublime da Santíssima Trindade. Podemos dizer que a partir deste evento solene, a ação criadora, redentora e santificadora da Santíssima Trindade será, cada vez mais, manifesta na missão pública de Jesus, em seus ensinamentos, nos milagres, na Sua paixão, morte e ressurreição.



Lemos no Evangelho, segundo São Mateus: "Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: 'Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado'” (Mt 3,16-17). O Espírito Santo, "morada" do Filho, é um testemunho da divindade, enquanto a voz do Pai, vindo dos céus, exprime a comunhão de amor.



“A conclusão da cena do batismo nos diz que Jesus recebeu esta 'unção' autêntica, que Ele é o Messias esperado" (Livro “Jesus de Nazaré”, Milão, 2007, p. 47-48), confirmando a profecia de Isaías: "Eis o meu servo que eu amparo, meu eleito, em quem a minha alma se compraz "(Is 42,1). É realmente o Messias, o Filho do Altíssimo, que descendo das águas do Rio Jordão, estabelece a regeneração no Espírito, abrindo, a todos que desejarem, a oportunidade de se tornarem filhos de Deus.



Não por acaso, na verdade, cada batizado adquire o caráter de filho a partir do momento em que receber o nome cristão, um sinal inequívoco de que o Espírito Santo dá à luz ao homem "novo", a partir do seio da Igreja. O bem-aventurado Antônio Rosmini diz que "a pessoa batizada sofre uma operação secreta, mas poderosa, na qual ele é gerado para o sobrenatural e recupera a comunicação com Deus". Tudo isso se renovou, mais uma vez nesta manhã, durante a Missa na Capela Sistina, onde eu concedi o Sacramento do Batismo a 21 crianças.



Caros amigos, o Batismo é o começo da vida espiritual que se realiza através da Igreja. No momento sublime do Sacramento, enquanto a comunidade eclesial reza e confia a Deus um novo filho, os pais, padrinhos e madrinhas estão ansiosos para acolher o recém batizado, apoiando-os na formação e educação. E esta é uma grande responsabilidade que vem de um grande presente! Portanto, gostaria de encorajar todos os fiéis a redescobrir a beleza de serem batizados e darem testemunho alegre da sua fé, para que ela gere bons frutos e harmonia.



Pedimos a intercessão da Virgem Maria, Auxiliadora dos Cristãos, a quem confiamos os pais que estão se preparando para o batismo de seus filhos, bem como os catequistas. Toda a comunidade participa da alegria do renascimento pela água e pelo Espírito Santo!







Da Redação, com Rádio Vaticano (tradução equipe CN Notícias)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Carta de Bento XVI aos seminaristas na conclusão do Ano Sacerdotal

Queridos Seminaristas,

Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta "nova Alemanha" estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma "profissão" do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objeções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: "Até os cabelos da vossa cabeça estão contados". Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.

O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal. Nestas palavras, disse já algo de muito importante: uma pessoa não se torna sacerdote sozinha. É necessária a "comunidade dos discípulos", o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de todos. Com esta carta, quero evidenciar – olhando retrospectivamente também para o meu tempo de Seminário – alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos.

1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um "homem de Deus", como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do "big-bang". Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar conosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contato com Deus. Quando o Senhor fala de "orar sempre", naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contato interior com Deus. Exercitar-se neste contato é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo fato de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo.

2. Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho "o pão nosso de cada dia nos dai hoje" dizendo que o pão "nosso", que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão "nosso"; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma reta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando.

3. Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o fato de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos, mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo.

4. Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande patrimônio da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos "Povo de Deus".

5. O tempo no Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma "norma da doutrina", à qual fomos entregues no Batismo (Rm 6, 17). Todos vós conheceis a frase de São Pedro, considerada pelos teólogos medievais como a justificação para uma teologia elaborada racional e cientificamente: "Sempre prontos a responder […] a todo aquele que vos perguntar 'a razão' (logos) da vossa esperança" (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Tudo o que vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, é importante ultrapassar as questões volúveis do momento para se compreender as questões verdadeiras e próprias e, deste modo, perceber também as respostas como verdadeiras respostas. É importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios, onde a Igreja assimilou, refletindo e acreditando, as afirmações essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogmática é a compreensão dos diversos conteúdos da fé na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, é apenas explanação da fé no único Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a nós. Que é importante conhecer as questões essenciais da teologia moral e da doutrina social católica, não será preciso que vo-lo diga expressamente. Quão importante seja hoje a teologia ecumênica, conhecer as várias comunidade cristãs, é evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orientação fundamental sobre as grandes religiões e, não menos importante, sobre a filosofia: a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta. Mas aprendei também a compreender e – ouso dizer – a amar o direito canônico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito é condição do amor. Agora não quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, não é um pólo oposto à ciência teológica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.

6. Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente "íntegro". Por isso, a tradição cristã sempre associou às "virtudes teologais" as "virtudes cardeais", derivadas da experiência humana e da filosofia, e também em geral a sã tradição ética da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: "Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento" (4, 8). Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano. Quando não é integrada na pessoa, a sexualidade torna-se banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande mágoa que sacerdotes desfiguraram o seu ministério, abusando sexualmente de crianças e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devastações, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em vós próprios, esta questão: se é bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato é sensato como vida humana. Mas o abuso, que há que reprovar profundamente, não pode desacreditar a missão sacerdotal, que permanece grande e pura. Graças a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua fé, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibatária, é possível chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e solícitos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a nós mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerdócio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. É função dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. É um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele.
7. Hoje os princípios da vocação sacerdotal são mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunitário com Cristo e a sua Igreja, uma experiência espiritual e a alegria no serviço da fé. A decisão amadurece também em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerdócio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poderá ser difícil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itinerário espiritual. Por isso mesmo, o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.

Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à proteção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus onipotente Pai, Filho e Espírito Santo.

Dado no Vaticano, aos 18 de Outubro - Festa de São Lucas, Evangelista - do ano de 2010.

Vosso no Senhor.



fonte:
http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=278361

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

VIDA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

São Francisco nasceu em 1181/1182 em Assis na Itália, foi batizado com o nome de Giovanni di Pietri, mas seu nome foi mudado pouco tempo depois para Francisco, pois seu pai Petri di Bernardone era comerciante e viajava muito a França, mudou o nome do filho em homenagem ao local que fazia bons negócios.

Em 1198 acontece um conflito em Assis, entre a nobreza e os comerciantes. Os nobres se refugiam em Perusa uma pequena cidade próxima de Assis, onde São Francisco ficou preso por um ano até o ano de 1204. Em Perusa também estava a família de Clara.

Ao voltar para Assis, São Francisco doente começa sua conversão gradual, se dedica a dar esmolas e oferece até suas roupas aos pobres, tem visões e começa a desprezar o dinheiro e as coisas mundanas. Até que ele se encontra com um leproso, lhe dá esmola e um beijo, e este acontecimento marcou tanto a vida dele que, dos muitos fatos ocorridos em sua vida, este foi o primeiro que entrou em seu Testamento, "pois o que antes era amargo se converteu em doçura da alma e do corpo".

Outros encontros afirmaram ainda mais a vocação de São Francisco, nas ruínas da da igraja São Damião recebeu do crucificado o mandato de restaurar a Igreja. Obediente ao mandato, São Francisco pôs-se logo a trabalhar. Reconstruiu três pequenas igrejas abandonadas: a de São Damião, a de Santa Maria dos Anjos e a de São Pedro.

Seu pai, envergonhado do novo gênero de vida adotado por Francisco, queixou-se ao bispo de Assis da prodigalidade do filho e, diante do prelado, pediu a Francisco que lhe devolvesse o dinheiro gasto com os pobres. A resposta foi a renúncia à vultosa herança: despindo, ali, suas vestes, Francisco exclamou: "... doravante não direi mais pai Bernardone, mas Pai nosso que estás no céu..."

A partir desse momento passa a viver na pobreza, e inicia a ordem franciscana, cresce o número de companheiros, 1209 já são 12. Cria uma regra muito breve e singela, que o papa Inocêncio III aprova em 1210, e cujas diretrizes principais eram pobreza e humildade, surge assim a Fraternidade dos Irmãos Menores, a Primeira Ordem.

No Domingo de Ramos de 1212, uma nobre senhora, chamada Clara de Favarone, foi procurar Francisco para abraçar a vida de pobreza. Alguns dias depois, Inês, sua irmã, segue-lhe o caminho. Surge a Fraternidade das Pobres Damas, a Segunda Ordem. Aqueles que eram casados ou tinham suas ocupações no mundo e não podiam ser frades ou irmãs religiosas, mas queriam seguir os ideais de Francisco, não ficaram na mão: por volta de 1220, Francisco deu início à Ordem Terceira Secular para homens e mulheres, casados ou não, que continuavam em suas atividades na sociedade, vivendo o Evangelho.

A Ordem Francisca cresceu com o passar dos anos. Em 1219 houve uma grande expansão para a Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos e França. Neste mesmo ano São Francisco vai em missão para o Oriente. Durante sua ausência, vigários modificam algumas regras da Ordem e no mesmo ano de 1219 São Francisco se demite da direção da Ordem.

Com o crescimento da Ordem, quase 5.000 frades em 1221, uma nova regra foi escrita por São Francisco em 29 de novembro de 1223 que foi aprovada pelo papa Honório. É a que vigora até hoje.

Em 1224 no dia 17 de setembro São Francisco recebeu as chagas de Jesus crucificado em seu próprio corpo, este fato ocorreu no Monte Alverne, um dos eremitérios dos frades.

Os últimos escritos de São Francisco são entre 1225 e 1226, dentre eles o Cântico das Criaturas e o Testamento. Nestes mesmos dois anos, Francisco vai a vários lugares da Itália para tratar de suas vistas. Passa por diversas cirurgias. Morre aos 03 de outubro de 1226, num sábado.

Morreu nu aquele que começou a vida de conversão nu na praça de Assis diante do bispo, do pai e amigos. Morreu ouvindo o Evangelho de João, onde se narra a Páscoa do Senhor, aquele que recebeu os primeiros companheiros após ouvir o Evangelho do envio dos apóstolos. Foi sepultado no dia 04 de outubro de 1226, Domingo, na Igreja de São Jorge, na cidade de Assis.

São Francisco de Assis foi canonizado em 1228 por Gregório IX e seu dia é comemorado em 04 de outubro.

Em 25 de maio de 1230 os ossos de São Francisco foram levados da Igreja de São Jorge para a nova Basílica construída para ele, a Basílica de São Francisco, hoje aos cuidados dos Frades Menores Conventuais


ORAÇÃO DA PAZ 

Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

ELEIÇÕES 2010

 ORIENTAÇÕES DA IGREJA CATOLICA PARA AS ELEIÇÕES 2010

"Assim como os 10 mandamentos, que são orientações, o panfleto ressalta 10 pontos que acreditamos ser importantes na hora da escolha do voto. O objetivo é ajudar na construção da cidadania", explicou o secretário executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Daniel Seidel.
"Para nós, ser ficha limpa é o básico", afirmou. Ele alertou que é importante que os eleitores conheçam a história dos candidatos, quem financia sua campanha e quais são suas propostas de governo, e que além dos candidatos à altos cargos como presidência e governo de estado, os deputados também requerem atenção, já que eles fazem parte da construção política e da democracia.
De acordo com ele, o informativo já começou a ser distribuído pela Comissão Justiça e Paz e as paróquias que receberem o material devem fazer a distribuição ao final das celebrações eucarísticas. Daniel ressaltou que o material será distribuído também nas ruas e outros locais públicos, já que a idéia é alcançar todos os eleitores, e não apenas os católicos.
Em todos os estados brasileiros, os Comitês 9840, que acompanham o histórico dos candidatos, sobretudo, se são ou não ficha limpa, também receberão o material para divulgação, segundo informou Daniel. Uma versão eletrônica do panfleto também está sendo preparada para chegar ao maior número possível de pessoas.
Daniel disse que a expectativa é fazer com que o eleitor tenha cuidado com seu voto e acompanhe o trabalho do candidato que escolheu. "Nosso objetivo é tornar o eleitor mais consciente dos seus atos", informou.

Entre as orientações, a CNBB enfatiza que o poder político surge do povo e que votar é um exercício importante da cidadania. A entidade destaca que os bons candidatos devem apresentar propostas de solução para grandes problemas como a superação da pobreza, a promoção de uma economia que estimule a inclusão e melhor distribuição da renda, educação de qualidade, etc.
"Voto consciente não é troca de favores, mas uma escolha livre. Procure conhecer os candidatos, sua história pessoal, suas ideias e as propostas defendidas por eles e os partidos aos quais estão filiados", aconselham os bispos. Eles alertam ainda que os candidatos devem respeitar a liberdade de consciência, as convicções religiosas dos cidadãos, seus símbolos religiosos e a livre manifestação de sua fé.
No panfleto, a CNBB chama a atenção para a existência de candidatos que representam apenas o interesse de um grupo específico ou de uma minoria, alertando que "o bom governante governa para todos".
E finalizam alertando que "votar é importante, mas ainda não é tudo. Acompanhe, depois das eleições, as ações e decisões políticas e administrativas dos governantes e parlamentares, para cobrar deles a coerência para com as promessas de campanha e apoiar as decisões acertadas".